
10 pontos inegociáveis para mudar a política de drogas, protegendo o povo e a soberania brasileira
A política de drogas atravessa áreas centrais da vida pública brasileira. Ela interfere no acesso à saúde e dignidade, na segurança dos territórios, no funcionamento do sistema de justiça, no encarceramento, na vida de mulheres e famílias, no tratamento dado à população em situação de rua e na forma como o Estado se relaciona com povos e comunidades tradicionais. O modelo de política de drogas de um país, define para onde vão os recursos públicos destinados a esta pasta e quais respostas os poderes escolhem diante de problemas sociais complexos.
Por isso, entendemos que discutir política de drogas é discutir o próprio modelo de Estado que queremos construir. Ao longo de décadas, o proibicionismo consolidou uma resposta baseada principalmente em criminalização, repressão e encarceramento. Seus efeitos, no entanto, estão distribuídos de maneira desigual e recaem com mais força sobre populações negras, pobres e periféricas, ao mesmo tempo em que o acesso ao cuidado, à informação e a tratamentos continua sendo marcado por barreiras socioeconômicas e territoriais.
Nosso manifesto da rede, para as #Eleições2026 lista 10 pontos inegociáveis para candidaturas que se preocupam em mudar a política de drogas brasileira:
1. Enfrentamento das desigualdades raciais, de gênero e territoriais
Reconhecer que os efeitos da política de drogas não são distribuídos igualmente. A criminalização e o encarceramento atingem de maneira particular populações negras e periféricas e produzem impactos específicos sobre mulheres, muitas vezes atravessadas por situações de violência, vulnerabilidade econômica e responsabilidades de cuidado. Uma política de drogas precisa considerar também o que a prisão de uma mulher produz sobre filhos, famílias e redes comunitárias.
2. Saúde pública, redução de danos e cuidado em liberdade
Defender uma política de drogas orientada pela saúde e pela garantia de direitos, com a promoção da Redução de Danos, o fortalecimento da Atenção Psicossocial e da RAPS, a atuação de equipes multiprofissionais e o cuidado territorial. O acesso ao cuidado deve respeitar e fortalecer a autonomia das pessoas e não pode estar condicionado à abstinência ou fundamentado no isolamento. Controle e coerção não devem ser respostas automáticas no cuidado às pessoas que usam drogas..
3. Informação, educação e prevenção sem moralismo
Garantir políticas permanentes de educação sobre drogas, com informação científica, linguagem acessível e estratégias de prevenção e redução de danos que ajudem as pessoas a tomar decisões mais seguras, em vez de reproduzir medo, estigma e desinformação.
4. Acesso igualitário a tratamentos e usos terapêuticos
Promover o acesso seguro a substâncias utilizadas para fins terapêuticos, como a Canabis sativa, sem discriminação e sem transformar renda ou judicialização em condição para o tratamento. Quando existe um direito à saúde, ele precisa chegar também a quem depende do SUS.
5. Regulação da cannabis com responsabilidade social
Avançar na regulamentação integral da cadeia produtiva da cannabis, do cultivo ao acesso, contemplando diferentes finalidades e garantindo segurança sanitária e ambiental sem inviabilizar práticas com interesse social. O novo modelo deve reconhecer o cultivo pessoal, associativo e cooperativo, a agricultura familiar e a produção agroecológica, evitando concentração econômica e priorizando um mercado de interesse social, sem publicidade ou estímulo ao consumo.
6. Biodiversidade, territórios e soberania brasileira
Construir uma política regulatória vinculada à realidade brasileira, reconhecendo cultivares adaptadas aos nossos biomas, seu registro no RENASEM, os conhecimentos tradicionais e os direitos dos povos associados a eles. A regulação deve proteger o meio ambiente e os territórios tradicionais e garantir que a produção de conhecimento, riqueza e tecnologia também fortaleça a soberania nacional.
7. Justiça, desencarceramento e reparação dos danos da proibição
Rever os efeitos produzidos por décadas de criminalização, incluindo condenações e registros relacionados em princípio à maconha, medidas de anistia e mecanismos de justiça de transição. Isso passa pelo reconhecimento das violações cometidas, pela reparação das pessoas e comunidades atingidas, pela responsabilização por abusos e pela construção de garantias de não repetição.
8. Segurança pública que proteja a vida e os territórios
Superar uma política de segurança centrada no confronto e na repressão do varejo de drogas nas periferias. Segurança pública exige investigação e inteligência para enfrentar redes organizadas, mas também presença permanente do Estado por meio de saúde, educação, assistência, renda, segurança entre outras políticas capazes de reduzir vulnerabilidades. A proteção da população deve ser o critério para avaliar os resultados dessa política.
9. Direitos da população em situação de rua e políticas de proteção social
Recusar a ideia de que internação ou institucionalização sejam respostas gerais para pessoas em situação de rua ou para o uso problemático de drogas. Moradia, saúde mental, redução de danos, assistência social, renda e fortalecimento de vínculos precisam funcionar de forma articulada, preservando autonomia, liberdade e cidadania. A própria construção da campanha associou esse debate a alternativas de cuidado territorial e políticas de moradia.
10. Democracia, participação e responsabilidade sobre as escolhas públicas
Tratar a política de drogas como parte do debate sobre democracia e sobre as prioridades do Estado. Decisões legislativas e orçamentárias determinam que modelos de saúde, segurança, cuidado e regulação serão financiados e quem terá acesso a eles. Tornar essas escolhas públicas e compreensíveis é também uma forma de ampliar participação social e controle democrático sobre uma política que afeta milhões de pessoas
10 pontos inegociáveis para mudar a política de drogas, protegendo o povo e a soberania brasileira


- Plataforma Brasileira de Política de Drogas
- Rede Brasileira de Redução de Danos e Direitos Humanos
- Rede Nacional de Feministas Antiproibicionistas
- Iniciativa Negra por Uma Nova Política de Drogas
- Centro de Convivência É de Lei
- Associação Brasileiras de Estudos Multidisciplinares sobre Drogas
- Escola Livre de Redução de Danos
- Drogas Quanto Custa Proibir (CESeC)
- Rede Jurídica pela Reforma da Política de Drogas
- Instituto de Defesa da População Negra
- ARCO (Ação Regional de Contribuição Social e Oportunidades)
- Laboratório de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (LEIPSI/Unicamp)
- Cannabis Monitor Brasil
- Tulipas do Cerrado
- Fórum da Luta AntiManicomial de Sorocaba
- Clínica Popular de Pisicanálise
- Instituto Chacruna
- Rede Nacional Internúcleos da Luta Antimanicomial
- Fórum Mineiro de Saúde Mental
- Frente Mineira Drogas e Direitos Humanos
- Monula Oficial
- Marcha da Maconha Imbituba
- Movimento Nacional de Vitimas de Comunidades Terapêuticas
• André Barros (PSOL/RJ) Candidato a Dep. Federal
• Henrique Vieira (PSOL/RJ) Dep. Federal e Candidato
• Fábio Felix (PSOL/DF) Candidato a Dep. Federal
• Marivaldo Pereira (PT/DF) Candidato a Dep. Federal
• Luna Zarattini (PT/SP) Candidata a Dep. Federal
• Sâmia Bomfim (PSOL/SP) Dep. Federal e Candidata
• Erik Torquato (PSB/SP) Candidato a Dep. Federal
• Tarcísio Motta (PSOL/RJ) Dep. Federal
• Vivi Reis (PSOL/PA) Candidata a Dep. Federal
• Jones Manoel (PSOL/PE) Candidato a Dep. Federal
• Kadu Silva (PSOL/BA) Candidato a Dep. Federal
• Valmir Assunção (PT/BA) Candidato a Dep. Federal
• Débora Camilo (PSOL/SP) Candidata a Dep. Estadual
• Dani Monteiro (PSOL/RJ) Candidata a Dep. Estadual
• Caê Traven (PT/PR) Candidato a Dep. Estadual
• Eduardo Suplicy (PT/SP) Dep. Estadual e Candidato
• Mônica das Pretas (PSOL/SP) Dep. Estadual e Candidata
• Mariana Conti (PSOL/SP) Candidata a Dep. Estadual
• Luciana Boiteux (PSOL/RJ) Candidata a Dep. Estadual
• Val Santos (PSOL/AM) Candidata a Dep. Estadual
• Vinícius Crânio (PSOL/RJ) Candidato a Dep. Estadual
• William Siri (PSOL/RJ) Candidato ao Governo do Estado
Assinaram como sociedade civil:
Assinaram como sociedade civil organizada:
- Plataforma Brasileira de Política de Drogas
- Rede Brasileira de Redução de Danos e Direitos Humanos
- Rede Nacional de Feministas Antiproibicionistas
- Iniciativa Negra por Uma Nova Política de Drogas
- Centro de Convivência É de Lei
- Associação Brasileiras de Estudos Multidisciplinares sobre Drogas
- Escola Livre de Redução de Danos
- Drogas Quanto Custa Proibir (CESeC)
- Instituto de Defesa da População Negra
- Rede Jurídica pela Reforma da Política de Drogas
- ARCO (Ação Regional de Contribuição Social e Oportunidades)
- Laboratório de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (LEIPSI/Unicamp)
- Cannabis Monitor Brasil
- Tulipas do Cerrado
- Fórum da Luta AntiManicomial de Sorocaba
- Clínica Popular de Pisicanálise
- Instituto Chacruna
- Rede Nacional Internúcleos da Luta Antimanicomial
- Fórum Mineiro de Saúde Mental
- Frente Mineira Drogas e Direitos Humanos
- Monula Oficial
- Marcha da Maconha Imbituba
- Movimento Nacional de Vitimas de Comunidades Terapêuticas
- ARDAM
Assinaram como mandato ou
candidatura:
Assinaram como mandatos ou candidaturas:
- André Barros (PSOL/RJ) Candidato a Dep. Federal
- Henrique Vieira (PSOL/RJ) Dep. Federal e Candidato
- Fábio Felix (PSOL/DF) Candidato a Dep. Federal
- Marivaldo Pereira (PT/DF) Candidato a Dep. Federal
- Luna Zarattini (PT/SP) Candidata a Dep. Federal
- Sâmia Bomfim (PSOL/SP) Dep. Federal e Candidata
- Erik Torquato (PSB/SP) Candidato a Dep. Federal
- Tarcísio Motta (PSOL/RJ) Dep. Federal
- Vivi Reis (PSOL/PA) Candidata a Dep. Federal
- Kadu Silva (PSOL/BA) Candidato a Dep. Federal
- Jones Manoel (PSOL/PE) Candidato a Dep. Federal
- Valmir Assunção (PT/BA) Candidato a Dep. Federal
- Eduardo Suplicy (PT/SP) Dep. Estadual e Candidato
- Débora Camilo (PSOL/SP) Candidata a Dep. Estadual
- Dani Monteiro (PSOL/RJ) Candidata a Dep. Estadual
- Caê Traven (PT/PR) Candidato a Dep. Estadual
- Mônica das Pretas (PSOL/SP) Dep. Estadual e Candidata
- Mariana Conti (PSOL/SP) Candidata a Dep. Estadual
- Luciana Boiteux (PSOL/RJ) Candidata a Dep. Estadual
- Val Santos (PSOL/AM) Candidata a Dep. Estadual
- Vinícius Crânio (PSOL/RJ) Candidato a Dep. Estadual
- William Siri (PSOL/RJ) Candidato ao Governo do Estado
